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Carta do coronavírus para os seres humanos

ECOA

17/03/2020 04h00

Hoje abri minha timeline e vi uma postagem que me tocou muito, uma carta imaginada da Covid-19 (coronavírus) para os seres humanos*. Nela, dizia que após muito tentar ser escutado e não conseguir, decidiu então forçar a barra e exigir: "Pare. Apenas pare." A carta nos convida a pensar o quanto somos parte do sistema maior que é a natureza e o sistema ecológico global, e o quanto precisamos voltar a nos conectar com ele de uma forma mais sustentável.

Há muito tempo, nosso estilo de vida enquanto comunidade global nos mostra que precisamos desacelerar. O consumo desenfreado de recursos naturais, o desmatamento, a poluição e tudo que contribui para a emergência climática que vivemos, vêm colocando cada vez mais em risco à vida na Terra.

Agora, com a pandemia do coronavírus não temos outra escolha a não ser desacelerar, pois a maior arma para combatê-lo é reduzir a velocidade com a qual ele se propaga.

Negar o problema ou entrar em pânico não ajuda. O que precisamos no momento é cuidar da nossa saúde emocional e seguir as medidas coletivas de prevenção.

De maneira sincronizada, 16 de março é o Dia Nacional de Conscientização sobre as Mudanças Climáticas, e podemos aproveitar o momento, como nos pede a Covid-19, para refletir sobre nossas ações e impactos no meio ambiente e nas vidas uns dos outros.

O coronavírus tem nos dado a oportunidade de reconhecer a importância de pensar no bem estar coletivo e não apenas individual, a importância dos serviços públicos de saúde que atendam a todos, não apenas alguns, e do valor do apoio da comunidade e da conexão humana.

Também nos convida a refletir sobre a insustentabilidade de nossos sistemas socioeconômicos e a necessidade urgente de uma mudança de foco que tenha como valor central não o lucro, mas a vida em todas as suas formas, diminuindo intencionalmente os impactos ecológicos e reconhecendo as vantagens de sistemas descentralizados e regionais.

É momento de nos afastarmos fisicamente e nos conscientizarmos sobre o quanto estamos conectados e precisamos cuidar uns dos outros, já que somos interdependentes: seres humanos, animais, plantas, o planeta em sua totalidade.

* Segue a Carta imaginada da Covid-19 para os seres humanos
(Autor desconhecido. Tradução do inglês para o português: Sandra Caselato)

Pare. Simplesmente pare.
Não é mais um pedido. É uma ordem.
Nós iremos ajudar-lhe.
Vamos parar o carrossel supersônico de alta velocidade
Vamos parar
os aviões,
os trens,
as escolas,
os shoppings,
as reuniões,
a frenética e furiosa onda de ilusões e "obrigações" que o impedem de ouvir o pulsar de nossa batida de coração compartilhada,
a maneira como respiramos juntos, em uníssono.
Nossa obrigação é de uns para com os outros,
como sempre foi, mesmo que você tenha esquecido.
Interromperemos a transmissão cacofônica interminável de divisões e distrações,
para lhe trazer esta notícia de última hora:
Nós não estamos bem.
Nenhum de nós; todos nós estamos sofrendo.
No ano passado, as tempestades de fogo que queimaram os pulmões da terra não foram suficientes para que você parasse.
Nem os tufões na África, China, Japão.
Nem as altas ondas de calor no Japão e na Índia.
Você não tem escutado.
É difícil ouvir quando você está tão ocupado o tempo todo, tentando manter os confortos e conveniências que sustentam suas vidas.
Mas a fundação está cedendo,
se curvando sob o peso de suas vontades e desejos.
Nós iremos ajudá-lo.
Vamos trazer tempestades de fogo para o seu corpo,
traremos febre ao seu corpo,
traremos queimaduras abrasadoras e inundaremos seus pulmões
para que você possa ouvir:
Nós não estamos bem.
Apesar do que você possa pensar ou sentir, nós não somos o inimigo.
Nós somos o Mensageiro. Somos aliados. Nós somos uma força que traz o equilíbrio.
Então pedimos a você: pare, fique quieto, escute,
vá além de suas preocupações individuais e considere as preocupações de todos;
reconheça sua ignorância, encontre sua humildade, abandone suas mentes pensantes e mergulhe em seu coração.
Olhe para o céu, agora riscado com menos aviões. Veja-o, perceba como ele está: claro, enfumaçado, poluído, chuvoso? O quanto você precisa que ele esteja saudável para que você também possa estar saudável?
Olhe para uma árvore e a veja, perceba como ela está: como a saúde dela contribui para a saúde do céu, do ar que você precisa respirar para estar saudável?
Visite um rio e o veja, perceba como ele está: claro, limpo, escuro, poluído? O quanto você precisa que ele esteja saudável para que você também possa estar saudável? Como a saúde do rio contribui para a saúde da árvore, que contribui para a saúde do céu, para que você também possa estar saudável?
Muitos têm medo agora.
Não demonize seu medo e também não o deixe lhe governar. Em vez disso, deixe que ele fale com você – em sua quietude – ouça sua sabedoria.
O que o medo pode estar lhe dizendo sobre o que está em questão, em risco, além das ameaças de transtornos e doenças pessoais?
Da mesma forma que a saúde de uma árvore, um rio ou o céu lhe mostra a qualidade da sua própria saúde, o que a qualidade da sua saúde pode estar lhe dizendo sobre a saúde dos rios, das árvores, do céu e de todos nós que compartilhamos esse planeta com você?
Pare.
Observe se você está resistindo.
Observe o que você está resistindo.
Pergunte por que.
Pare. Simplesmente pare.
Fique quieto. 
Escute.
Nos pergunte o que podemos lhe ensinar sobre doenças e curas, sobre o que é preciso ser feito para que tudo fique bem.
Nós iremos lhe ajudar, se você ouvir.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.

Sobre a autora

Psicóloga, com graduação em artes plásticas e especialização em didática, Sandra Caselato é uma exploradora dos processos psicológicos e das relações humanas, com especial interesse na transformação de conflitos e no fortalecimento da cultura de paz. Atua com desenvolvimento humano há mais de 20 anos, aprofundando-se em práticas que favorecem o diálogo, a transformação pessoal e social por meio da conexão humana.

Sobre o blog

Como você se relaciona consigo mesma(o), com as pessoas a sua volta e com o mundo? Como você lida com os conflitos que se apresentam em sua vida e ao seu redor? Sandra Caselato traz reflexões sobre como viver uma vida mais conectada com os próprios valores, enxergar com empatia além das aparências e construir espaços seguros para conversas necessárias, criando o mundo em que queremos viver.